domingo, 1 de janeiro de 2012

Black Tide - Os Períodos Negros

"The tide is high but I´m holding on..."

Não queria assustar vocês com esse título, logo no primeiro dia do ano, mas estava esperando as festas passarem para falar de morte e renascimento, como acontece com o Ano Velho e o ano Novo.

Havia me esquecido como eles são. O ser humano se acostuma rápido à boa vida, e quando os Períodos Negros acontecem, parece que o mundo vai acabar.

 Back to Black no violino... Só a Sekmeth mesmo...

É, caros colegas. Essa teve proporções épicas.  Um dia em que se acorda com o pé esquerdo, ou uma série de pequenas chatices que vão se acumulando, notícias desagradáveis, coisas com as quais contamos, ilusões que se desfazem. Tudo explodiu de repente, não numa reles marézinha vermelha, mas numa onda de questionamentos que me colocaram contra a parede.

Em ordem cronológica temos:

- Dois anos de uma faculdade que serviram para que eu parasse no tempo e descobrisse que mais um sonho meu não passava de uma ilusão. Se fosse em outro tempo, em outro lugar, as chances seriam outras, eu seria outra pessoa, talvez desse certo;

- Por causa desses dois anos, eu parei no tempo no meu trabalho. Não estudei, não fiz cursos, abri mão da oportunidade de prestar um trabalho temporário no Sul, um trabalho importante e bacana, e consequentemente de algum tipo de promoção;

- Num determinado momento, meu trabalho todo pareceu um nada. Cada luta, cada conquista, cada hora atrás daquele balcão, cada cliente feliz, nada disso valia lhufas, graças a um acordo malfeito do sindicato que estourou meu orçamento. Ninguém está sentindo, ou seja: contando moedinhas, tanto quanto eu, que não tenho cargo e que não tirei férias na época. E a chefia não está nem aí, veste a bandeira da empresa, a empresa é santa, a empresa é uma mãe. MÃE PARA ELES QUE TEM CARGO! Eu não queria mais do que uma palavra de apoio, tipo "Putz, que merda de Sindicato. Permitem que descontem a greve e ainda cobram R$ 70,00 de contribuição compulsória";

- Graças a essa contação de centavos e a minha irritação inegável, minha mãe acabou fuçando no meu holerite e descobriu minha consignação. Primeira pergunta "Você gastou tudo isso com bonequinho!?!?!?"
Não, tem sete anos de compras aí, entre móveis, roupas, bijuterias, livros, gasolina, manutenção de carro, um pouco de reforma da casa, farmácia, mercado e um pouco de viagem. Digamos que os bonecos entrem aí com 15% . Maravilha, a marcação em cima do Iason ficou mais cerrada do que nunca.

Ok. Eu não deveria estar reclamando, afinal, poderia muito bem dispor da reserva que eu tenho para comprar o Doll da Iple que vai ser o Iason. Mas se essa situação perdurar, nem esse dinheiro vai salvar meu orçamento.

- Falando em dolls, até isso eu questionei, o quanto isso estava empatando minha vida. Fiquei imaginando mil coisas que poderia fazer com esse dinheiro (que não fossem cobrir o rombo do orçamento). Pensei seriamente em parar a coleção, juntar o Cíaran e o Riki definitivamente e juntar o Iason com o Hórus, irmão da Bastet para que ele não fizesse parte do Grupo Perpétuos. Já escrevi uma história sobre isso e ficou bacana, mas separar o Riki e o Iason me deixa com o coração muito, muito, muito apertado.

Fiquei imaginando uma série de coisas e situações, mas nenhuma me agrada, pelo contrário. Pensei em como a gente se limita por um pouco mais que se queira, ou seja, em como esse tombo nada mais é do que o resultado dos passos maoires que a perna que dei.

No entanto, ah, como eu adoro os "no entanto".

Cair na real dói, mas é bom. Cortar certas raizes faz a planta murchar a princípio, mas depois ela cresce mais forte. O fim das ilusões abre porta para novas possibilidades.

- Sim, eu terei que recomeçar de onde parei, estudar tudo de novo, mas terei tempo para estudar, terei tempo para os meus pais, terei tempo para ver as séries de que gosto, ir ao cinema, curtir boa música, me arrumar. afinal, já tenho bagagem suficiente para saber como quero que seja minha casa;

- Minha mãe ficou sabendo da consignação, quantos BJD quero ter... Maravilha, não tenho mais segredos para ela, uma culpa a menos, menos preocupação com mentiras. Nós vamos brigar? Vamos, mas a gente iria brigar de qualquer jeito;

- Minha criatividade ficou a mil por hora. Logo logo posto o conto "Beijos Perfeitos" para vocês, um tipo de crossover;

- Crenças ruins caem por terra. Oras, costumava pensar que cada vez que comprava um doll, esse seria um crime que deveria ser castigado, e qualquer maré mais escura era por causa das compras que fazia. Nada disso, tirei a prova: marés negras acontecem, provações acontecem, não importa o que você faça ou deixe de fazer. A Roda da Fortuna gira, então, vamos viver o melhor que podemos. Respirando, caminhando e seguindo a canção...



 Banthii: Tia Jagara, deixa de mal-humor. Vamos comer brigadeiro?

Feliz Ano Novo, Pessoal!

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